Passivos

Considerações sobre resíduos passivos

Definição:

É todo material químico que se encontra estocado nas dependências dos laboratórios didáticos, de pesquisa ou em depósitos, etc, e que não participa das atividades rotineiras de trabalho por um período superior ao considerado normal pelo pessoal técnico responsável.

Porque acabar com eles?

  • Colocam em risco a segurança;
  • Podem causar graves danos ambientais se não tratados e descartados de forma correta;
  • Ocupam espaço;
  • Servem de motivação para que novos resíduos sejam acumulados.

O que fazer?

  • Colocar os frascos de todos os resíduos passivos em uma região isolada do laboratório;
  • Separar em identificados e não-identificados.

Identificados:

  • Procurar esgotar as possibilidades de aplicação dos 3 R’s (recuperar, reutilizar, reciclar);
  • Colocar à disposição para outros laboratórios através do BIQ;
  • Encaminhar para o LRQ para tratamento químico e/ou disposição final;

Não identificados:

  • Tentar identificá-los e após a identificação, seguir as recomendações fornecidas aos passivos identificados;
  • Se não for possível a identificação deve-se simplesmente agregá-los como não identificados;

    Avaliação das Propriedades dos Resíduos Passivos:

    Nessa etapa deve-se empregar experimentos em microescala e ser prudente, trabalhando sempre na capela.
    1 – Reatividade em ar Colocar 5 gotas de resíduo não identificado em um vidro de relógio e deixar exposto ao ar (em uma capela). Observar se ocorre alguma evidência de reação química.

    2 – Reatividade com água: Homogeneizar o resíduo e colocar 3 gotas deste em um vidro de relógio. Adicionar 3 gotas de água. Observar se há formação de chama, geração de gás ou reação violenta.

    3 – Solubilidade em água: Colocar 2 mL de água em uma proveta de 5 mL. Adicionar 2 mL do resíduo e agitar. Observar se há presença de 2 fases ou apenas uma. Se o resíduo for solúvel em água haverá apenas uma fase e as substâncias presentes no resíduo provavelmente são inorgânicas ou compostos orgânicos polares. Se o resíduo não for solúvel em água haverá formação duas fases. Pode acontecer do resíduo conter algumas substâncias solúveis em água e outras não solúveis. Observar e anotar.

    4 – pH: Verificar com papel indicador ou pHmetro.

    5 – Inflamabilidade Introduzir um palito de cerâmica no resíduo, deixar escorrer o excesso e levar à chama.

    6 – Presença de compostos clorados Colocar 2 mL de água em uma proveta de 5 mL. Adicionar 2 mL do resíduo a esta proveta. Os compostos orgânicos halogenados são mais densos que a água e deve-se observar duas fases. Se o resíduo contiver compostos halogenados, a água ficará acima da fase do resíduo. A presença de compostos orgânicos clorados pode ser detectada através do seguinte teste: Aquecer um fio de cobre ao rubro na chama do bico de Bunsem para sua limpeza. Após o resfriamento do fio, mergulhe-o no resíduo e leve-o a chama novamente. Observe a coloração. A cor verde indica a presença de composto clorado.

    7 – Solubilidade em hexano: Colocar 2 mL de hexano em uma proveta de 5 mL. Adicionar 2 mL do resíduo e agitar. Se o resíduo for solúvel em hexano haverá apenas uma fase e as substâncias presentes no resíduo provavelmente são compostos orgânicos apolares. Se o resíduo não for solúvel em hexano serão observadas duas fases.

    8 – Presença de cianetos Se o pH da amostra de resíduo for menor ou igual a sete, pode-se assumir que a concentração de cianeto é insignificante. Em resíduos com pH maior que 7, devem ser feitos testes específicos para os íons cianeto (CN-) como o descrito abaixo:;

    Para 1 mL de resíduo: adicionar 0,5 mL de solução tampão pH 5,2 (∼10 gotas) e adicionar 0,05 mL de cloramina (∼1 gota). Agitar. Após 1-2 minutos acrescentar 0,6 mL de uma solução de γ-picolina – ácido barbitúrico (∼12 gotas). A formação de uma solução roxo-azulada indica teste positivo.

    Preparo da solução tampão pH 5,2: dissolver 0,136 g de dihidrogenofosfato de potássio (fosfato diácido de potássio) e 0,0028 g de hidrogenofosfato de sódio (fosfato monoácido de sódio) em 10 mL de água.

    Preparo do reagente γ-picolina – ácido barbitúrico: Colocar 0,6 g de ácido barbitúrico em um balão volumétrico de 10 mL. Acrescentar um pouco de água para dissolver. Adicionar 3 mL de γ-picolina (4-metil-piridina) e 0,6 mL de ácido clorídrico concentrado. Agitar a mistura. Completar o volume do balão volumétrico após a mistura atingir temperatura ambiente.

    9 – Presença de sulfetos Acidificar uma pequena fração da amostra com HCl. Papel embebido em solução de acetato de chumbo e exposto aos vapores dessa solução acidificada deverá ficar enegrecido.

    10 – Resíduo oxidante Adicionar 0,1 a 0,2 g de iodeto de sódio ou potássio a 1 mL de uma solução 10% do resíduo em água. O desenvolvimento de coloração amarelo-marrom indica um oxidante. Caso disponha de papel de amido/iodeto, umidecê-lo com solução de ácido clorídrico 1 mol L-1 e então colocar uma pequena porção do resíduo desconhecido no papel. Uma mudança de coloração para roxo escuro indica a presença de oxidante.

    11 – Resíduo redutor: Descoloração de papel umedecido em 2,6-dicloro-indofenol ou azul de metileno.

BIBLIOGRAFIA

W. F. Jardim, Química Nova, 21(5) 1998, 671.

J. C. Chang, S. P. Levine, M. S. Simmons, J. Chem. Education, 63(7), 1986, 640

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